terça-feira, 29 de setembro de 2015

V SC, 10. PARABÉNS CAMOCIM!

Luar em Camocim. Foto: Vando Arcanjo
Difícil ser um historiador e não querer contar uma história, um fato, principalmente no dia em que seu lugar comemora o aniversário de sua emancipação política. Mas, o que é um lugar antes de ser um ente político? 29 de Setembro é apenas uma data. Poderíamos ter outras: que tal 17 de Agosto, data da elevação do então distrito da Barra do Camocim à cidade. Ou mesmo 31 de Janeiro, dia em que abolimos a escravidão? Pois é, tínhamos 413 escravos em 1884. 
Mas a história não é somente a sucessão cronológica dos fatos. Ainda gastaremos muito tempo para vasculharmos os acontecimentos que fizeram essa terra única, com suas mazelas e belezas, dona do maior litoral do Ceará, no entanto, para o bem ou para o mal, o menos explorado, talvez. Ainda aparecerá quem melhor revirará teu baú, historiadores ou não, para contar sobre tua origem, lugar de recepção de índios foragidos das guerras tribais e com o colonizador e suas sagas de mortes, de aventureiros das terras mais longínquas, de flagelados açoitados pela seca, de contrabandistas forasteiros e nativos, mas, também da tua hospitalidade, do teu jeito moleque de ser, da tua beleza sem fim. 
Como pobre mortal, hoje, por acaso longe do teu seio, mas, colado à tua mente, desejaria percorrer tua orla e sentir teu cheiro de maresia, comer coró e beber água de coco, encontrar teus escritores e poetas, falar com tua gente, compartilhar com teus alunos e professores páginas de um livro didático que ainda está por vir.
Camocim...Vida longa! Parabéns a ti e aos teus!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

V SC. 09. A RÁDIO PINTO MARTINS DE CAMOCIM.

Logomarca da Rádio Pinto Martins FM, 98,7.
A Rádio Pinto Martins foi a pioneira na radiofonia camocinense. Como dissemos na postagem anterior, as rádios na década de 1980 serviram para que os grupos políticos definissem uma nova estratégia de permanência do poder. Por muito tempo teve a sintonia de 1450 MHz. Atualmente não veicula mais em AM, tendo se constituído numa nova modalidade, no caso, rádio comunitária com frequência modulada (FM) atuando no prefixo, 98,7. Abaixo, o Decreto Lei da concessão para funcionamento da antiga Rádio Pinto Martins. 


Senado Federal
Secretaria de Informação Legislativa
DECRETO Nº 84.968, DE 28 DE JULHO DE 1980.
Outorga concessão à RÁDIO PINTO MARTINS LTDA., para estabelecer uma estação de Radiodifusão sonora em onda média de âmbito regional, na cidade de Camocim, Estado do Ceará.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o art.81, item III, combinado com o artigo 8º, item XV, letra "a", da Constituição, e tendo em vista o que consta do Processo MC nº 15.306/78 (Edital nº 99/78),
DECRETA:
Art. 1º Fica outorgada concessão à RÁDIO PINTO MARTINS LTDA., nos termos do artigo 28 do Regulamento dos Serviços de Radiodifusão, aprovado pelo Decreto número 52.795, de 31 de outubro de 1963, para estabelecer, sem direito de exclusividade, uma estação de radiodifusão sonora em onda média de âmbito regional, na cidade de Camocim, Estado do Ceará.
Parágrafo único. O contrato decorrente desta concessão obedecerá às cláusulas baixadas com o presente e deverá ser assinado dentro de 60 (sessenta) dias, a contar da publicação deste Decreto noDiário Oficial da União, sob pena de se tornar nulo, de pleno direito, o ato de outorga.
Art. 2º Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Brasília, 28 de julho de 1980; 159º da Independência e 92º da República.
JOÃO FIGUEIREDO
H.C. Mattos


Fonte: legis.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=199368

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

V SC. 08. A RÁDIO UNIÃO DE CAMOCIM

Fachada da Rádio União de Camocim 820 - AM. Foto: Aroldo Viana.


Na primeira metade da década de 1980, Camocim entrou na era da radiodifusão. A novidade veio a reboque das novas estratégias políticas de manutenção do poder. Desta forma, um grupo político que se prezasse tinha de ter um veículo midiático que lhe desse sustentação, no caso uma emissora de rádio. O governo federal, por sua vez, era pródigo em distribuir concessões de rádio para seus aliados no chamaro período de distensão da ditadura civil-militar. Daí que em Camocim o grupo político Coelhos/Veras não perdeu tempo e conseguiu colocar no ar a Rádio Pinto Martins, 1450 AM, funcionando na praça de mesmo nome, esquina coma rua Independência. Não demorou muito para que o grupo da família Aguiar conseguisse também sua concessão, com a Rádio União de Camocim , 820 AM (foto) com sede na rua Dr. João Thomé, defronte à praça Vicente Aguiar. Infelizmente, hoje, no dia dos radialistas, o rádio em frequência de amplitude modulada (AM) não está mais no ar. A Rádio Pinto Martins se transformou em FM na categoria comunitária. Já a Rádio União pediu a conversão de AM para FM junto à ANATEL e espera autorização. Abaixo, o decreto federal que institui a Rádio União de Camocim pelo Presidente Figueiredo em 1981, um ano após conceder tal benefício para funcionamento da Rádio Pinto Martins:

Senado Federal
Secretaria de Informação Legislativa

Decreto nº 86.168, de 29 de junho de 1981
Outorga concessão à RÁDIO UNIÃO DE CAMOCIM LTDA., para estabelecer uma estação de radiodifusão sonora em onda média de âmbito regional, na cidade de Camocim, Estado do Ceará.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o artigo 81, item III, combinado com o artigo 8º, item XV, letra "a", da Constituição, e tendo em vista o que consta do Processo MC nº 11.477/80 (Edital nº 33/80),
DECRETA:
Art. 1º - Fica outorgada concessão à RÁDIO UNIÃO DE CAMOCIM LTDA., nos termos do artigo 28 do Regulamento dos Serviços de Radiodifusão, aprovado pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, para estabelecer, sem direito de exclusividade, uma estação de radiodifusão sonora em onda média de âmbito regional, na cidade de Camocim, Estado do Ceará.
Parágrafo único - O contrato decorrente desta concessão obedecerá às cláusulas baixadas com o presente e deverá ser assinado dentro de 60 (sessenta) dias, a contar da publicação deste decreto no Diário Oficial da União, sob pena de se tornar nulo, de pleno direito, o ato de outorga.
Art. 2º - Este decreto entrará em vigor, na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Brasília, DF, 29 de junho de 1981; 160º da Independência e 93º da República.
JOÃO FIGUEIREDO

domingo, 20 de setembro de 2015

V SC. 07. AS PRIMEIRAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS EM CAMOCIM

Jornal "Pátria". março de 1910, p.2.


Após a Proclamação da República em 1889, o cenário político ainda não tinha experimentado uma promessa republicana: estender o direito de votar e ser votado. o site  do TSE contextualiza o que estava acontecendo em 1910:
"O ano de 1910 também foi marcado pela eleição para a Presidência da República. Em disputa, duas chapas com propostas claramente diversas, algo inédito no país. [...]De um lado, o militar gaúcho Hermes da Fonseca, apoiado por Nilo Peçanha, vice-presidente que havia assumido a Presidência após a morte de Afonso Pena, pelo Rio Grande do Sul e por Minas Gerais. Seu oponente foi o baiano Rui Barbosa, que angariou o apoio de São Paulo, de setores do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco.
Hermes da Fonseca representava um projeto vinculado às ideias da oligarquia rural e da máquina estatal. Rui Barbosa, ainda que também um representante da elite do país, empreendeu uma candidatura com ares de renovação. Apresentava-se como um modernizador favorável à industrialização e à imigração. Barbosa foi, ao longo de boa parte da República Velha (1894-1930), um ícone nacional no sentido da eloquência e da cultura."
Em Camocim, mal a República havia se instalado no comando do país, as forças políticas se alinharam ao novo sistema de governo, instalando o Partido Republicano, dizem as atas da Câmara Municipal de Camocim. Em 1910, o comando do PR local ficou nas mãos do Coronel José Adonias de Araújo. Naquela época as eleições aconteciam em 1º de março e os resultados deixam evidências interessantes para compreendermos como as eleições eram feitas naquela época. Pois bem, vamos aos resultados: O Marechal Hermes da Fonseca (segundo dizem os mais velhos, aparentado com os Fonsecas de Camocim) e seu vice Wenceslau Braz, obtiveram 281 votos cada. Já o candidato oposicionista Rui Barbosa, o Águia de Haia, e seu vice Albuquerque Lins, obtiveram apenas 1 voto cada. Afora o inusitado do resultado das eleições (ou não tão inusitado para os padrões da época, em que as eleições eram feitas à "bico de pena") , resta saber quem foi o corajoso que votou em Rui Barbosa em Camocim.
Só para efeito de comparação, na vizinha cidade de Granja, nestas mesmas eleições, o Marechal Hermes e seu vice foram sufragados por 707 eleitores cada, e a chapa oposicionista recebeu 105 votos. Seria Granja mais politizada ou o voto de cabresto lá não era tão forte?

Fonte:http://www.tse.jus.br/institucional/escola-judiciaria-eleitoral/revistas-da-eje/artigos/revista-eletronica-eje-n.-5-ano-3/a-primeira-campanha-presidencial-2013-1910

sábado, 19 de setembro de 2015

V SC. 06. DE CAMOCIM À IPUEIRAS, QUANTO CUSTA A PASSAGEM DE TREM?

Jornal A Pátria. Anno I, nº 30. 31.10.1910. Sobral-CE.


Na década de 1910 os trilhos da Estrada de Ferro de Sobral ainda não chegara ao seu destino final, Crateús, na fronteira com o estado do Piauí. A ferrovia, cujo primeiro trecho entre Camocim e Granja foi inaugurado em 1881, em 1910 já atingia a cidade de Ipueiras. A cada estação inaugurada, ou a cada reajuste dos preços, os mesmos tinham ampla divulgação nos jornais da época. Deste modo, o jornal A Pátria da cidade de Sobral trazia em 31 de outubro de 1910, os preços de passagens de 1ª e 2ª classes, a partir de Sobral, pelo intinerário de Camocim, Granja, Angica (atual Martinópole), Riachão (atual Uruoca), Pitombeiras (atual Senador Sá), Massapê, Cariré, Santa Cruz (atual Reriutaba), Pires Ferreira, Ipu e Ipueiras. Vale ressaltar que ao comprar o bilhete de ida e volta, tinha-se um desconto interessante conforme mostra a tabela (foto). Quem quisesse ir, por exemplo, de Camocim a Sobral em Primeira Classe pagaria 9:000 (nove mil réis). Já de Segunda Classe, o bilhete custaria 6:000 (seis mil réis). Para além dos preços praticados, seja em qualquer classe, o mais interessante naquela época era a integração econômica e social que a ferrovia promovia na região norte do Ceará, atuando como meio de transporte de pessoas e cargas.

Fonte:Jornal A Pátria. Anno I, nº 30. 31.10.1910. Sobral-CE.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

V SC 05. O AVIÃO-NAVIO. O DOX ALEMÃO EM CAMOCIM

DOX em pleno voo. Fonte: Jornal "A Esquerda, 03.08.1931, p.2



Camocim, por sua posição estratégica em relação à África e Europa foi um ponto de abastecimento de aeronáutico, num tempo em que a aviação não tinha tanta autonomia e era dominada pela tecnologia dos hidroaviões. No começo do século XX, fomos visitados por vários raids aéreos, dentre eles, o do conterrâneo aviador Pinto Martins em seu voo célebre de 1922 que ligou Nova Iorque ao Rio de Janeiro. Os mais antigos viram zepelins sobrevoando nossa cidade e o incomparável hidroavião alemão Dornier X, tão grande que era chamado de navio voador (foto). A matéria do jornal A Época de  03 de agosto de 1931 traz a notícia de que o referido hidroavião não voltaria mais à Alemanha, posto que fora vendido aos americanos para servir de transporte de passageiros e correio aéreo entre Nova Iorque e a América do Sul, tendo a Argentina como ponto final. Foi nessa viagem da Alemanha para os EUA que o DOX passou por Camocim, cujas memórias já foram contadas por outros escritores. Camocim estava na escala da viagem entre outros pontos como Salvador, Natal, Recife, São Luiz, Belem, Paramaribo, Miami, dentre outros. Como afirmam os testemunhos da época, a passagem do DOX por Camocim causou alvoroço, posto que foi o único lugar do Ceará que ele amerrisou, para as devidas tarefas de reabastecimento.

Fonte: Jornal A Esquerda, Rio de Janeiro, 03 de agosto de 1931, p.2.
















terça-feira, 8 de setembro de 2015

V SC. 04. UM SETE DE SETEMBRO DE ANTIGAMENTE... EM CAMOCIM


Camocim. 1952. Desfile de Sete de Setembro. Foto; arquivo do blog

O que pode nos mostrar um "Sete de Setembro" além do desfilar das representações da sociedade civis, escolares e militares diante de populares e um palanque de autoridades? E se esse momento estiver congelado numa fotografia? Muitas coisas podemos perceber numa imagem, como tentar reconhecer as pessoas na foto, objetos, prédios e, no caso de um desfile, as entidades representadas. No caso da foto acima, referente ao Sete de Setembro de 1952, (na foto original, sem cortes, estava datada à caneta no canto inferior direito) além de ser possível identificar alguém, podemos ver que o desfile fazia a virada da Rua Dr. João Thomé e tomava a Rua Esplanada do Porto (atual Beira-Mar). O povo parecia acompanhar andando o desfile que já estava no seu final, com os pelotões militares, que normamente fecham a parada cívica. Percebe-se ainda que a rua ainda não tinha calçamento. Ao fundo, no cruzar das ruas, aparece o prédio onde funcionou a Casa de Cultura, na Rua Dr. João Thomé e em primeiro plano, compondo boa parte da foto, uma casa assobradada que foi de propriedade da família Sabóia com traços característicos de arquitetura colonial, substituída hoje por uma outra construção. E você, o que ver na foto além de um mero desfile num distante ano de 1952?

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

V SC. 03 - A LEI DA BALA E A IMPRENSA EM CAMOCIM.





Jornal O Ceará. Fortaleza, 12/03/1928, p.7
Não é de hoje que os ditos "homens de imprensa" são vítimas da violência. O preceito constitucional da livre expressão quase sempre era soterrado pela lei do mais forte ou como sugere a matéria jornalística aqui apresentada, pela "lei da bala". Voltemos pois, aos acontecimentos em Camocim no ano de 1928. Era tempo de eleição e o jornalista Francisco Theodoro Rodrigues (Chico Teodoro) com seu jornal "O Operário", fazia campanha para eleger uma representação dos trabalhadores à Câmara Municipal. Naquela época, o sistema eleitoral permitia que os partidos políticos distribuíssem as cédulas já votadas para os eleitores, que só tinham o trabalho de ir á seção para depositá-la na urna. Deste modo, o jornalista denuncia em carta para outro jornal, "O Ceará", como as coisas se sucederam em Camocim quando ele e outros companheiros tentaram fazer uma reunião com os sócios da Sociedade Deus e Mar para distribuir as cédulas, que naquela época congregava portuários e estivadores, principalmente. Vejamos trechos dessa carta: "Na hora em que íamos abrir a porta do edificio em que funcciona esta sociedade, o delegado de polícia local, á frente de um contigente de soldados armados nos intimou a abandonarmos a idéa da alludida reunião. Allegamos que tanto os estatutos de nossa sociedade como a Constituição da Republica nos garantia esse direito, tendo como resposta, de um sobrinho do delegado, o sr. José Carlos Véras, que a lei era bala (bala nelles!) [...] Hoje, quando se começava a distribuir as chapas eu, apezar e socio da "Deus e Mar", fui, injustificavelmente e violentamente, preso, conduzido ao xadrez e conservado incommunicavel. A maioria do eleitorado aqui é operária e a victoria dos nossos candidatos seria certa se a lei do "bala nelles", não imperasse, irritantemente com ostensivo menosprezo a todas as garantia e direitos eleitoraes. [..] Nem esta carta saberei se chegará à vossas mãos. São nove horas e a luz do cubiculo é pessima.
O director de "O OPERARIO"
Estamos em pleno século XIX, mas, de vez em quando, por este e outros motivos, uma voz se cala.
Fonte: Jornal "O Ceará". Sexta-feira, 12 de março de 1928, p.7.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

V SC - 02. OS AMIGUINHOS DE CAMOCIM. AS NOSSAS CRIANÇAS NA REVISTA TICO TICO

Crianças camocinenses na Revista Tico-Tico. 1926, Nº 10, p.88.

A mídia sempre foi fascinante, independente do tempo e do espaço. Ter seu nome nela de forma positiva é um colírio para os olhos e uma massagem no ego. Em tempos de blogsfera aparecer neste ou naquele blog é sinal de status, que o diga quem vez por outra é matéria do Camocim Online. Mas, voltando ao nosso assunto, trazemos um pouco da mídia de outrora. Deste modo, aparecer num veículo do quilate da Revista Tico-Tico do Rio de Janeiro era a glória. É o que parece ter acontecido com os pais e as crianças camocinenses que vez por outra eram retratadas na seção Os Nossos Amiguinhos da primeira revista brasileira voltada para o público infantil, que circulou entre 1905 e 1962, trazendo "passatempos, mapas educativos, literatura juvenil e informações sobre história, ciência, artes, geografia e civismo". Naquela época as relações econômicas, sociais e políticas de nossa cidade eram travadas mais com o Rio de Janeiro do que Fortaleza, o que explica a referência à nossa cidade em jornais e revistas cariocas. Na edição 398 de 1913, a Revista Tico-Tico estampa a foto de Carlos Cavalcante, filho do Sr. Walmory Cavalcante. Já no ano de 1926, edição 10, p.88 (foto acima), são apresentadas as crianças Aldenora Ximenes de Mello e Tobias Monteiro, representantes de famílias importantes do Camocim de outrora.

Fontes consultadas:
http://bndigital.bn.br/artigos/o-tico-tico/
Revista Tico-Tico. RJ, 1913 e 1926.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

V SC - 01. NOTÍCIAS DE CAMOCIM EM 1900. JORNAL O TUPY

O Tupy. Anno 1. Camocim-CE, 14 de agosto de 1900. Nº 3. 

Já sabemos que Camocim foi uma cidade com uma imprensa fértil. Infelizmente, pouco restou dessas folhas de outrora, noticiosas,literárias, satíricas, humorísticas e partidárias. Muitas não passaram do primeiro número, mas, representaram um período em que as ideias precisavam ser escritas e defendidas através dos jornais diários, semanais, quinzenais ou mesmo mensais. Nesta postagem vamos destacar o jornal O Tupy, mas precisamente o único número preservado na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, de 14 de agosto de 1900Anno 1, nº 3, que tinha como redatores Américo Pinto e Benedicto Moreira. Nas quatro páginas, uma pequena amostra do que acontecia naquele ano. Na primeira página, o editorial já denunciava as precariedades que passava nosso porto, através do título Nossa Barra. O editorialista chamava a atenção para os encalhes dos navios devido "a inepcia de um dos nossos praticos que não tem conhecimento algum dos canaes, visto que nunca os praticou", e pedia o afastamento do mesmo. Ainda na primeira página um artigo sobre a seca que assolava o município, denunciando o flagelo e pedindo a proteção divina para o povo cearense (Infeliz Terra). Na página 2, uma poesia (Logogripho)  e um conto (Nossa Mãe, de Benedicto Moreira) dão um toque literário, além de fazer referência ao próximo número que seria em homenagem aos 78 anos de nossa Independência. Na terceira página encontra-se a continuação da página anterior e duas pequenas peças literárias: Ao Romper da Aurora, de F. M. Carneiro e Resolução assinada por alguém com o pseudônimo de Cauby. Na quarta e última página temos uma seção de charadas e uma matéria,  intitulada de  A Bengala, ensinando como usá-la em código, "offerecido aos namoradores". Exemplo: "Encostal-a ao queixo: preciso falar-te. Bater com ella na mão: Gosto muito de ti." Para arrematar, uma propaganda da Mercearia Carioca numa historieta humorística onde dois homens discutem sobre quem vende mais barato em Camocim. Era assim os jornais de outrora!

Fonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

V SETEMBRO CAMOCIM - MAIS UM POTE DE HISTÓRIAS!





Amyr Klink, o navegador solitário, uma celebridade no Brasil, tendo publicado diversos travelogues sobre suas arrojadas expedições náuticas – que inclui a travessia do Atlântico em um minúsculo barco a remos e uma audaciosa circunavegação da Antártica em um veleiro – disse da cidade em que nasci, ser o maior museu a céu aberto de construção náutica artesanal no país, quando por lá passou no início desta década. Era para ter ficado um par de dias. Ficou semanas, encantado com a perícia dos artesãos náuticos locais. (Rui Vasconcelos, Água quebrada a frieza, 18/10/2010)

Caros conterrâneos, como fazemos há quatros anos, iniciaremos hoje mais um SETEMBRO CAMOCIM, nossa singela contribuição à história do município, em alusão ao mês de aniversário de nossa emancipação política. Veicularemos aqui e no blog CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, postagens e matérias que espero, despertem o nosso gosto pelas coisas de nossas terras, preservando-as e ressignificando-as. Está aberta a temporada do V SETEMBRO CAMOCIM, que trará sempre uma epígrafe de alguém que escreveu algo sobre nossa terra, como a que acima Rui Vasconcelos assina e pode ser acessada em sua totalidade no endereço:
www.etudogentemorta.com/2010/10/agua-quebrada-a-frieza/