quarta-feira, 25 de setembro de 2013

III SC 14 - ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA DERRUBA PRÉDIOS HISTÓRICOS EM CAMOCIM




Empresa de Algodão Ltda. Fonte: arquivo do blog.
Primeiro foi a casa do comerciante João da Silva Ramos. Depois na mesma rua, a antiga Casa da Cultura, esquina com a Rádio União. E assim vai: uma casa aqui outra ali no entorno do primeiro núcleo histórico de Camocim e pouco a pouco os exemplares arquitetônicos do início do século XX, vão tombando em favor da especulação imobiliária. Desta vez, o antigo Hotel da Ambrosina e a Mercearia Serrote (que outrora foi sede de um banco) estão vindo abaixo. Tal qual o ”Mato Grosso e o Joca” da música, por alguns minutos fiquei a testemunhar um operário com sua marreta, pôr tijolos ao chão. 
Já falei em alguns outros espaços e neste blog, sobre a importância de se preservar estes monumentos. O Município tem meios para isso e não precisa ficar esperando a ação do IPHAN. Em Camocim, enquanto prédios, só temos a Estação Ferroviária tombada pela patrimônio estadual e mesmo assim já foram feitas  intervenções internas que beiram o ridículo. No próprio Código de Posturas e no Plano Diretor existem a possibilidade de se criar um conselho municipal onde pessoas de conhecimento sobre a questão podem definir áreas a serem preservadas. Qual a motivação de não se fazer isso? Talvez seja a falta da tal “vontade política”, ou mesmo desinformação. Outro dia conversando com a arquiteta Silvana Valente ela me falou de sua luta junto aos gestores quando fez parte da administração municipal, para que esse conselho fosse efetivado.  Preservar não é engessar o espaço; é dar-lhe um novo uso recuperando a história passada. Fico imaginando o quanto não seria interessante se este entorno pudesse ser apropriado para se criar equipamentos de cultura, entretenimento e lazer. A Empresa de Algodão (foto) poderia ser um cine-teatro, os armazéns em volta poderiam se transformar em restaurante-escola, um museu. A Casa dos Engenheiros que já é a sede da Academia Camocinense de Artes e Letras (ACCAL), poderia incorporar um Café Literário e uma livraria, enfim, equipamentos que dinamizariam a vida cultural da cidade em consonância com a atividade turística. Ideias não faltam... o que falta é esta tal vontade! São nossos sonhos... enquanto não podemos ter outra coisa!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

III SC 13 - ESTUDANTES E PROFESSORES DO LICEU DE CAMOCIM REVIVEM FESTIVAL DE MÚSICA

Logomarca do evento. Fonte: http://liceucamocim.blogspot.com.br
 
Muito me honrou o convite dos alunos e professores do Liceu de Camocim Deputado Murilo Aguiar para comparecer ao "I FESTIVAL DE MÚSICA DO LICEU DE CAMOCIM. Revivendo a História, Renovando Talentos". O mesmo ocorrerá hoje, 24 de setembro às 19h no pátio desta unidade escolar. Na oportunidade haverá apresentação dos nossos jovens talentos e premiação para os ganhadores. Além deste evento, alunos e professores estão produzindo um documentário sobre as memórias dos festivais de outrora, para o qual fui entrevistado recentemente. Louvamos a iniciativa deste grupo, pois alia as recordações dos antigos festivais com a musicalidade dos jovens talentos do Liceu. Acreditamos que com isso se possa recuperar este importante evento para o calendário turístico de Camocim e  promover a descoberta de grandes talentos para a música local. Abaixo, apresentamos a logomarca do VIII Festival de Música em Camocim.
Fonte: Arquivo do blog.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

III SC - 12 . MINISTRO NEGA ISENÇÃO PARA FÁBRICA DE ALGODÃO EM CAMOCIM

Jornal "O GLOBO".

As primeiras décadas do século XX foram de alguma prosperidade para o Ceará na atividade cotonicultora. Com efeito, esse "boom" algodoeiro propiciou a fortuna de muita gente e possibilitou a inserção cearense na indústria têxtil. Por este tempo a Fábrica de Tecidos Ernesto Deocleciano em Sobral produzia tecidos para exportação e o Porto de Camocim tinha um posto de classificação da fibra que foi chamada de "ouro branco". Por outro lado, a exploração de qualquer atividade empresarial sempre esteve ligada à regulamentação do Estado, seja ele próprio isentando impostos no sentido de promover setores produtores, ou das empresas atrás de benesses para aumentar seus lucros. Não sabemos em quais destes aspectos se inseriu o que passamos a relatar, mas, o certo é que a Empresa de Algodão Limitada de  Camocim tentou a isenção dos impostos de uma "prensa hydraulica de algodão" junto ao Ministério da Fazenda, através da Federação de Associações Comerciaes (grafia da época)Na nota no jornal "O Globo" do Rio de Janeiro de 04 de dezembro de 1929(foto), o Ministro nega o pleito ao 1º Secretário da referida federação, alegando "falta de apoio legal" para tal pedido. À época, a Empresa de Algodão Limitada era "consignada à S. A. White Martins, de Recife". Neste sentido podemos perceber na pequena nota as relações comerciais de Camocim com Pernambuco além da relação íntima do comércio camocinense, representada pela Associação Comercial local e sua representação nacional junto à Federação das Associações Comerciais, no Rio de Janeiro.

Fonte:Jornal "O GLOBO". Anno V. Nº 1577. 14. 04/12/1929. Edição das 19 horas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

III SC 11 - PROFESSORES DE CAMOCIM LANÇAM LIVRO NOS 134 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Capa do livro: Fonte: Arquivo do blog.


Com a sensação do dever cumprido, de um filho ter parido (juntamente com outros dois professores), finalmente, depois de meses de trabalho, desde a concepção do projeto até agora, apresentamos o resultado do nosso esforço de pesquisa em forma de livro de autoria coletiva. Segue abaixo a sinopse:

SINOPSE:
Título: Sobre Camocim: política, trabalho e cotidiano.
Autores: Carlos Augusto Pereira dos Santos, Carlos Manuel do Nascimento e Francisco Rocha Pereira.
Editora: Edições Universitárias. Universidade Estadual  Vale do Acaraú.
Cidade:  Sobral-CE.
Ano: 2013.
Nº de páginas: 160
Tiragem: 1000 exemplares.
Preço: R$ 15,00


Resumo: O livro é constituído de três capítulos: No primeiro, “Perfis Comunistas”, o Prof. Carlos Augusto Pereira dos Santos reúne artigos publicados nos jornais de Camocim, Sobral e Fortaleza quando pesquisava sobre a militância comunista em Camocim, que resultou em sua dissertação de mestrado, além de textos e documentos inéditos. O segundo capítulo, O Cotidiano dos Trabalhadores do Porto de Camocim (1977 – 1985)”, e o terceiro:  “A Cidade nas Ondas do Rádio - Memórias e Histórias dos Serviços de Alto-Falantes de Camocim” são resultados de pesquisas sobre Camocim defendidas em monografias no Curso de História da UVA, pelos professores Francisco Rocha Pereira e Carlos Manuel do Nascimento, respectivamente.

Lançamentos:
Dia 20 de setembro às 19h: UVA/CCH. Campus do Junco. Sobral-CE.
Dia 21 de setembro às 19h: Associação Comercial. Camocim-CE (Os Autores)
Dia 27 de setembro às 20h: Boa Vista Resort. Camocim-CE (Programação Oficial da Semana do Município/PMC).

III SC 10 - O BAIRRO DA BOA ESPERANÇA EM CAMOCIM

E.E.M. Monsenhor José Augusto. Antigo Colégio Novo.
Se existe um bairro em Camocim que se identifica com seu nome e sua história, este é o Bairro da Boa Esperança, hoje, sem dúvida, o mais populoso de nossa cidade. No final dos anos setenta do século passado nada mais era do que uma gleba de terra que começava numa estrada de piçarra e ia até às imediações do Lago Seco. Na beira da estrada ficava o Campo da Catingueira (alusão a um arbusto da nossa caatinga) onde se disputava partidas de futebol aos domingos. Lembro ainda de um destes jogos que meu pai me levou a assistir. Naquele tempo ainda se podia vislumbrar grandes áreas de terra que ainda não tinham sido incorporadas à urbanização recente que a cidade experimentava. Com visão de futuro o proprietário deste terreno fez a lógica inversa da especulação imobiliária e, de uma só vez resolveu alguns problemas que Camocim enfrentava naquele momento.
Primeiro fez a doação para o Instituto São José que enfrentava problemas financeiros com sérias ameaças de fechamento. As Irmãs Capuchinhas lotearam toda a área e puderam soerguer o tradicional estabelecimento de ensino da cidade. Com a venda dos lotes a preços razoáveis e parcelados surgiram as primeiras casas do bairro, visto que, havia uma grande demanda de pessoas vindas do interior do município e de cidades vizinhas (base da população do bairro) em busca de novos ares. Portanto, nisso vemos a relação com o nome dado – uma nova esperança para as pessoas que aqui chegavam e buscavam uma nova vida. Esperança também para o ISJ que pode se consolidar como equipamento educacional. 
No entanto, a ação do proprietário, Coronel Libório Gomes da Silva ainda teria repercussões na área educacional ao doar parte deste terreno para a fundação do Colégio Estadual Monsenhor José Augusto da Silva, (fotot) por muito tempo e ainda hoje chamado de Colégio Novo no local onde ficava o Campo da Catingueira. Com isso, o Governo do Estado pode instalar em Camocim uma escola pública, proporcionando esperança para os filhos dos moradores da área em busca de uma educação gratuita, e que até hoje presta serviços à nossa comunidade. 
Coronel Libório não é lembrado pela nomenclatura das ruas do bairro. E nas escolas referidas? 


P.S. Publicado inicialmente no Camocim Online.

Foto: profissionaldasalainformatica.blogspot.com 

domingo, 15 de setembro de 2013

III SC 09 - AS ANTIGAS CACIMBAS DE CAMOCIM

Cacimba. Fonte: daylawell.blogspot.com
Não sou tão velho assim, mas as cacimbas até bem pouco tempo atrás faziam parte do nosso cotidiano. Para sempre se perderam as conversas e outros tipos de relações que esses encontros no pé da cacimba proporcionava. Com a modernidade e com as novas exigências no campo da saúde e da higiene, ter água tratada por um sistema de abastecimento passou a ser imperativo para cidades do porte de Camocim. Com a chegada da água encanada, as cacimbas foram perdendo espaço nos quintais das casas, sendo demolidas e aterradas, à medida que as casas iam adquirindo o serviço do SAAEMinha primeira relação com uma delas foi a que existia na casa do Sr. José Guilherme (pai dos amigos Olivar e Ozenard). A boca era tão alta que eu, garoto de sete, oito anos de idade, tinha que ficar nas pontas dos pés para alcançar o balde. Depois mudamos para a Rua 24 de Maio (Rua do Egito). Na casa que meu pai comprara tinha uma cacimba menor, que no inverno de 1974 encheu até à boca, jorrando água para fora. Nessa cacimba tinha uma bomba manual que facilitava o serviço de tirar água. Nos invernos "fracos", lembro que foi a cacimba do Sr. Mário Monteiro, na General Tibúrcio que salvou muita gente das redondezas. Se retrocedermos na história, as cacimbas tiveram importância capital para aliviar os rigores das secas. Teve uma "cacimba do padre", que os registros dizem ter sido localizada por detrás da Igreja Matriz. Na Praça Pinto Martins, uma cacimba servia a quem se utilizava do Mercado Público e era um dos poucos bens que a municipalidade registrava no final do século XIX.  Acho que ainda hoje ela deve estar camuflada entre os quiosques da referida praça. No pátio da Estação Ferroviária um grande cacimbão quase em frente da nossa casa da Rua do Egito, era o local preferido dos jovens das ruas próximas todas as tardes, que escalavam a grande boca e pulavam de cabeça desafiando o perigo que representava os trilhos jogados lá dentro, segundo diziam. Com o tempo, animais mortos e lixo foram sendo jogados nesse local tornando impraticável esse divertimento. Contudo, lembro que um jovem desavisado, empolgado com as peripécias do amor, achou de namorar justamente na boca desse cacimbão e, não se sabe como, acabou caindo nele com a jovem parceira a tiracolo. Foram socorridos pelos moradores em plena madrugada.  A partir daí passou a ser chamado de outra forma, carregando para sempre o "Cacimba" no nome. Com a ajuda de leitores do Camocim Online registramos ainda a antiga Cacimba da Prefeitura "onde toda manhã os detentos faziam suas faxinas na limpeza das celas e onde depois do jogo no campo ao lado do prédio da Prefeitura, a gente ia se refrescar, tomando banho, quando o pai do Chico Pedim, deixava "Seu Pedrinho"", diz-nos o leitor Serrote. Já o Programa Última Trombeta recorda de: "Uma das cacimbas mais conhecidas e que mais serviu o povo de Camocim, com água de boa qualidade, foi a da dona Paty (Vila Paty - travessa rua da República). Os irmãos Jairo (gago) e Jonas vendiam a água dessa cacimba em "ancoretas" (pequenos barris de madeira), transportada em lombo de jumento. Era como beber água mineral. O gago gritava: "olha a ácua boa, pessoal"! E para fechar o professor Olivando Almeida registra:"Na Rua Quintino Bocaiúva, no bairro do Cruzeiro, tinha uma cacimba bem no meio da rua, onde muita gente ia pegar água. Inclusive, a dona Alzira, uma senhora que passava a madrugada pegando água para lavar roupas. Alguns moradores dizem, que de vez em quando, na calada da noite, se ouve o ringido do carretel. Será visagem? E você, tema a sua cacimba na mente?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

III SC 08 - A VOCAÇÃO NAVAL DE CAMOCIM

Navio "Camocim". Fonte:solariseditora.com.br
Com as recentes notícias de que há uma possibilidade de instalação de um estaleiro naval em Camocim com capital russo ou mesmo da intenção de Nelson Piquet também de criar um empreendimento da mesma natureza, há que se buscar na história algumas coincidências que puseram o nome de Camocim em evidência. Não à toa, em 1937, a Marinha Brasileira, através do seu Ministro Aristides Guilhem e do Presidente da República Getúlio Vargas orgulhavam-se de dotar a Armada brasileira de mais um navio mineiro, o terceiro, denominado "Camocim". Com efeito, o jornal "O Globo" de 11 de dezembro de 1937 estampava em primeira página: "PARA O BRASIL - UMA ESQUADRA CONSTRUÍDA PELOS BRASILEIROS". Em tipos menores e abaixo da manchete os dizeres: "Reaffirmaram-se hoje as grandes possibilidades no dominio das construcções navaes com o batimento da quilha do 'Camocim'".
Não somente pela coincidência histórica da utilização do nome Camocim como marco da indústria naval brasileira que realçamos a matéria do jornal carioca do século passado, mas também pela possibilidade de realmente um dia podermos noticiar que daqui de Camocim partem embarcações feitas pelas camocinenses, além de torcermos para que não seja mais uma promessa política em tempos pré-eleitorais.

Fonte: O Globo.11/12/1937.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

III SC 07 - O DEFESO DO CARANGUEJO EM CAMOCIM

Vendedor de caranguejo. Camocim. Foto: Arquivo do blog.
Se tem uma coisa que rima com Camocim é caranguejo. No entanto, cada vez mais eles estão se tornando mais raros e menores. Pude conferir isso domingo passado na Barraca da Valdete no outro lado. Para quem comeu caranguejos e siris enormes, corós carnudos e camarões corados, como uma vez escrevi numa canção, logo vem à mente a falta de uma política de preservação do nosso crustáceo. Não somente política, como também conscientização das pessoas que vivem desse comércio (dos que capturam e dos que vendem), assim como da população que consome. Os vendedores do mercado já ficam olhando diferente quando chego logo dizendo que não quero caranguejo fêmea na minha corda, assim como quando sento à mesa de uma barraca ou restaurante. Contudo, apesar de tudo isso, as ações de controle não são de hoje. Desde os anos 1970 que os órgãos de fiscalização do governo tentam contem a captura exagerada e fora do tempo das espécies marinhas, conforme atesta o oficio abaixo da Seção Regional da SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, endereçado ao Presidente da Associação Comercial de Camocim, procurando saber os métodos de captura, os tipos de caranguejo desta área litorânea. No entanto, estas ações, na maioria das vezes ficas apenas nas intenções e nada é feito. O atual defeso do caranguejo é respeitado em Camocim. Quem fiscaliza? Não é surreal, para não dizer catastrófico a falta de um contingente do IBAMA em Camocim para atuar nessa área e outras demandas dos ecossistemas locais? Enquanto isso, o nosso caranguejo vai diminuindo de tamanho rumo à extinção!   
Ofício Nº 205/70. Fonte: Associação Comercial de Camocim.

sábado, 7 de setembro de 2013

III SC 06 - OS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO EM CAMOCIM

Desfile de 7 de Setembro. Escola General Campos. 1991. Arquivo do blog.

Eis que nessa fase de remexer o baú me deparo com esta foto em que apareço com alunos da Escola Municipal General Campos. No momento em que escrevo esta postagem o fundo musical são os tambores do desfile de 7 de setembro que acontecem neste ano na Rua Dr. João Thomé. As lembranças são inevitáveis e as mudanças também. Se antes, principalmente, no período da ditadura civil-militar de 1964, os desfiles tinham um sentido bem demarcado, tendo consequência, inclusive, no jeito de desfilar - os alunos das escolas eram treinados para um desfile militar, além da recorrência a fatos e episódios da História do Brasil, hoje, a Parada de Sete de Setembro, como também era chamada o desfile, é mais um desfilar diante das autoridades constituídas, sem muitas pompas, onde as escolas procuram mostrar mais seus projetos pedagógicos e ações de sucesso. Por outro lado, é também oportunidade da administração municipal de promover diante de todos seus feitos conseguidos. Como tudo nessa vida, o desfile também assume as cores do seu tempo! E por falar nisso, alguém já enfeitou hoje sua bicicleta em verde-amarelo, espontaneamente?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

III SC 05 - A PESQUISA SOBRE O COMUNISMO EM CAMOCIM

"Historiador faz pesquisa sobre Partido Comunista em Camocim. Fonte: Tribuna do Ceará. 1998. Fortaleza.

Parece que foi ontem, mas já faz mais de quinze anos que iniciamos a pesquisa sobre a experiência ideológica dos militantes comunistas em Camocim. Começou com uma simples informação sobre o apelido que a cidade recebeu por conta dessa militância em Camocim, a "Cidade Vermelha". Daí em diante, com a possibilidade de iniciarmos uma carreira acadêmica, começamos por uma monografia num Curso de Especialização em Teoria da História, na UVA, depois veio o Mestrado em História Social na UFRJ/UFC e, finalmente com desdobramentos no  Doutorado na UFPE. Foram muitas horas, dias, meses e anos nos arquivos de Camocim, Fortaleza e Rio de Janeiro, escarafunchando documentos, lamentando a ausência de outros (principalmente dos produzidos pelo PCB), entrevistando pessoas (algumas morreram antes de conceder seu depoimento) além das orientações, da leitura de textos, livros e da solidão da escrita, afora as horas furtadas da família. Tudo isso, no entanto, foi compensado com a publicação da dissertação de mestrado e do reconhecimento dos conterrâneos e dos meus pares na academia em inúmeros eventos em que apresentamos os resultados dessas pesquisas. No final de setembro, apresentaremos parte destes textos publicados na imprensa local e alguns inéditos enfeixados em livro (Sobre Camocim. Política, trabalho e cotidiano), juntamente com outros trabalhos dos professores Carlos Manuel e Francisco Rocha. A foto acima marca o início dessa caminhada no ano de 1998, quando fomos entrevistados pelo então correspondente do jornal Tribuna do Ceará em Camocim, Denilson Siqueira.

III SC 04 - O VEREADOR SALINEIRO DE CAMOCIM

Câmara Municipal. Foto:camocimimparcial.blogspot.com

Com a profissionalização da política atualmente, fica até difícil imaginar um vereador vindo do povo, trabalhador das salinas, sem receber salários para comparecer às sessões e ainda ter que justificar suas faltas às mesmas. Pois  isto já aconteceu num tempo em que a Câmara Municipal de Camocim era composta por homens (e até uma mulher!) que, apesar de seus interesses próprios e convicções políticas partidárias, tinham alguma ideia do que era a noção de representar a população junto ao poder legislativo. A Sessão Ordinária de 17 de maio de 1963 nos dá bem um retrato de como era exercido os mandatos há cinquenta anos atrás. Abaixo transcrevemos um trecho da mesma em que o então vereador Luiz Damião de Oliveira (ainda vivo entre nós) demonstra a simplicidade do exercício do mandato, um simples salineiro, que posteriormente foi uma liderança dos portuários, envolvido na faina cotidiana do seu trabalho para prover a família e ainda tendo obrigações junto à Câmara. Leiamos?


14ª Sessão Ordinária –5ª Legislatura, 1º Período Legislativo. 17 de Maio de 1963.

(...)

Em seguida foi lido pelo Snr. Vereador Luiz Damião de Oliveira o Projeto de Lei Nº 5/63, de 10/5/63, de sua autoria, que “Autoriza o Chefe do Poder Executivo Municipal criar tornando feriado municipal todos os dias santificados, reconhecidos e respeitados pela Igreja Católica Apostólica Romana desta cidade”. Continuando justificou as suas faltas de comparecimento às sessões, isto,verificou-se quando o mesmo está trabalhando nas salinas em carregamento de vapores e não haver na ocasião das sessões transportes para tal fim.

Para termos um panorama da composição da Câmara naquela legislatura segue abaixo a relação:

1963Presidente – Amanajás Passos de Araújo

1964/1965Presidente – Antonio Marques de Almeida

1966Presidente – Luis Lopes Viana



VEREADORES:



Carlos Alberto Nóbrega

Gregório Francisco Alexandrino

João Oldernes Fiúza Lima

Luis Damião de Oliveira

Maria Carmelita Veras de Paula

Mauricio Lacerda Rêgo

Otavio de Santana

Raimundo Ferreira de Albuquerque

(Suplente) Joaquim Pereira de Brito

(Suplente) Valdemar Bessa

Prefeito: João Batista Aguiar

Vice: Setembrino Véras.

Fonte: Livro de Atas. Arquivo da Câmara Municipal de Camocim.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

III SC 03. RECORDAÇÕES DO FESTIVAL DE MÚSICA DE CAMOCIM

Letra da música "Camocim". 1991. Arquivo do blog
Remexendo nos meus arquivos eis que me deparo com a letra da música "Camocim", concorrente do Festival que acontecia na cidade no mês de setembro. Dizem até que o evento vai voltar. Tomara que seja verdade. O referido documento data de 08 de julho de 1991 e trata-se do registro da letra no Cartório André do 2º Ofício, como atesta a assinatura da saudosa tabeliã, Sra. Iolanda Gomes. A letra da música "Camocim" é de minha autoria e ela me veio à mente numa tarde quando eu, meu amigo Adeilson de Senador Sá (in memorian) e o Hélio, também daquela cidade, dedilhava um violão no antigo Restaurante Odus enquanto eu olhava "os mastros dos bastardos sem pano. Letra feita, apresentei-a ao grande músico camocinense Rildo Vilela, que infelizmente nos deixou e foi animar os bailes celestes. No VI Festival de Música de 1991, a música foi interpretada pela cantora Aparecida Silvino e acabou se classificando em 2º lugar. Abaixo a letra na íntegra, que na versão musicada sofreu algumas alterações. Infelizmente não temos o registro sonoro:

Camocim 


Letra: Carlos Augusto
Música: Rildo Vilela

I
E eu d'aqui
Olhando os mastros dos bastardos sem pano.
Mini-gigantes emergindo do mar
Como dedos do oceano.
II
Das Barreias ao Cais 
São tantos ais, que eu nem conto.
Em cada abraço apertado,
Extasiados, casais se encantam.
III
Na terra do sol,
CAMOCIM, pedaço de litoral.
Queremos ser terra do sal,
Mas com os mangues
Enverdecendo o arrebol.
IV
Alvejando o luar
Tuas dunas desnudas
Pedem vegetação.
Teus mangues emboras mudos
Gritam por preservação.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

III SC 02 - A RUA SANTOS DUMONT EM CAMOCIM E SEUS CODINOMES


Rua Santos Dumont. Camocim-CE. Fonte: googlemaps
A Rua Santos Dumont em Camocim, talvez seja a que tenha tido mais codinomes em toda sua extensão e história. Isso é muito interessante pois mostra que uma rua é viva e tem íntima relação com seus moradores e com os outros habitantes da cidade, conferindo-lhes uma certa identidade. Caso típico é esta rua que vamos comentar. Antes de receber o nome do "Pai da Aviação", era batizada de Rua da Aurora, como nos lembra o saudoso memorialista Artur Queirós: “... assistimos da calçada de nosso avô Joaquim Carneiro, à rua da Aurora, hoje trecho da rua Santos Dumont, ao insolente e tétrico fogaréu”. (Fonte: SPORT CLUB, In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.40). 
Talvez por chamar-se Aurora, o referido trecho também ficou imortalizado como "Rua do Sol", denominação que até hoje é chamada romanticamente pelos mais velhos.
Seguindo na direção sul-norte temos o Apertada-hora, no cruzamento das Ruas Boa Vista (atual D.Pedro II) com Marechal Floriano. Mais uma vez Artur Queirós nos socorre na descrição: “Local macabro e desabitado, temido por causa das assombrações comentadas. Por ali apenas se passava de dia e, mesmo assim, arredio e desconfiado, com as pernas de sobreaviso para eventual carreira. Á noite, nem pensar. Era necessário um longo contorno por outras ruas, para se evitar o ‘Apertada-hora’,rumo ao centro”. (Fonte: LOBISOMENS E VISAGENS.In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.47-8). 
Seguindo mais à frente, tínhamos a Rua do Macêdo, trecho de casas usadas por prostitutas no trecho que fica imediatamente atrás da Igreja de São Pedro. E a sua rua, tem outros nomes e codinomes?


 

domingo, 1 de setembro de 2013

III SC 01 - A MINA DE COBRE DE VIÇOSA E O PORTO DE CAMOCIM


Mina da Pedra Verde. Viçosa do Ceará.
Porto de Camocim. Arquivo do blog.
Dentro das viabilidades econômicas para movimentar o Porto de Camocim e até mesmo a antiga Estrada de Ferro de Sobral, o potencial mineralógico da região sempre foi colocado como saída, realizando-se uma integração dessa parte do Ceará e de estados vizinhos como o Piauí e Maranhão. No entanto, salta aos olhos a ineficiência e a falta de vontade política de nossos governantes para a causa. Senão vejamos o caso da mina de cobre da Pedra Verde em Viçosa, que teve suas primeiras explorações ainda no século XIX por exploradores europeus, "vindo ao Ceará pelo litoral norte do estado", Camocim, mais especificamente. Pois bem, como assinala a Revista Veja (01 de dezembro de 1976, ed. 430, p.110-111), a mina tinha uma capacidade de 20 milhões de toneladas, que poderiam produzir cerca de 60 toneladas diárias a serem transportadas de caminhão até o "porto marítimo de Camocim, um ancoradouro natural que mesmo em decadência há quarenta anos pode ser utilizado de imediato, livre de novos investimentos, o concentrado seguirá por chatas até a Bahia para ser afinal industrialmente processado". Ora, isso nunca aconteceu, notadamente porque o porto necessitaria da eterna dragagem e outros investimentos. A reportagem é do final de 1976, a mina esteve em atividade "em meados da década de 60 aos anos 80, sendo abandonada literalmente até os anos 2000 (...) Empregava centenas de trabalhadores de várias empresas como a CPRM e a GOSOL". Como podemos perceber o que falta mesmo é um planejamento sério das ações de governo no sentido da exploração de nossos recursos, integrando as potencialidades da região com os equipamentos disponíveis. 









Fonte: Texto e foto da mina da Pedra Verde: http://www.ratificando.com/noticias/mina-pedra-verde-vicosa-do-ceara/#ixzz2de7nfYfA

III SETEMBRO CAMOCIM - 134 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

Capa do Informativo do Centenário. 1979. Fonte: NEDHIS. Sobral-CE.
Caros camocinenses daqui, dali e mundo afora. Chegamos a mais um setembro, mês da data emancipatória há 134 anos. Mesmo sabendo que a história de Camocim não se resume apenas a esse tempo um pouco mais do que uma centúria, é sempre bom relembrarmos fatos do passado mais recente presenciado por nós, assim como de um tempo longínquo que não nos pertenceu. Essa é a função do historiador: lembrar o que os outros esqueceram. Neste sentido, mais uma vez o blog Camocim Pote de Histórias , beirando os 50.000 acessos, visitado por internautas de mais de 13 países, realizará uma força tarefa para levar ao conhecimento de todos, fatos da nossa história, opiniões, versões, como forma de contribuir para o entendimento de nosso presente. Como sempre, peço ajuda aos amigos, alunos, ex-alunos, leitores que tenham algum documento, uma foto, uma carta, uma história que meraça registro, que nos procure para juntos fazermos mais um SETEMBRO CAMOCIM através da história. Nossa proposta é todo dia publicarmos uma postagem como forma de homenagear nosso município, de incutir no sei da comunidade a importância da história para nossas vidas. As matérias virão numeradas com o código III SC. Tá lançado o desafio!